EUA x IRÃ: Quais os riscos de uma primeira guerra digital?

Os noticiários estampam através de diversos meios de comunicação, televisão, rádio, jornais, redes sociais que estamos vivendo um conflito internacional de grande magnitude e que teremos possivelmente uma terceira guerra mundial, sendo a primeira guerra digital. Mas, trocando em miúdos, o quanto somos afetados por tudo isso que acontece lá fora?

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Trazendo para um passado não tão distante, tivemos a Guerra Fria (1947-1991) que traçou de forma imaginária uma linha nada tênue entre duas potências mundiais e suas ideologias: de um lado os Estados Unidos da América capitalista, formando o bloco da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte e de outro, a URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, formando o Pacto de Varsóvia.

Apesar das distâncias físicas e das limitadas tecnologias daquele momento, esse conflito se espalhou pelo mundo com a eclosão de guerras regionais, sendo elas: guerra das Coreias (1950-1953), que inaugurou estes conflitos, a guerra do Vietnã (1962-1975) e a guerra do Afeganistão (1979-1989), e mais: a guerra do Golfo, a invasão do Iraque e a permanente distensão Israel-Palestina. O término da guerra fria foi marcado pela histórica queda do muro de Berlim em 1989 e com as reformas realizadas na União Soviética política (Glasnost) e reestruturação econômica (Perestroika), tornando os Estados Unidos com aparente vantagem hegemônica naquele momento. O Brasil foi também afetado, pois, por exemplo, ao se aliar a determinado bloco automaticamente teve as relações rompidas com o bloco socialista ou, ao fornecer seus produtos bélicos (Engesa, Avibrás) para países hostis aos norte-americanos (Líbia) foi bloqueado, limitando sua capacidade industrial nessa área.

Findado esta fase do processo, outros conflitos também merecem destaque: Estados Unidos x Iraque, ocorreu entre os anos de 2003 a 2011 e foi um período de bastante repercussão. Esta guerra do Iraque, como ficou mundialmente conhecido, foi o desdobramento dos ataques de 11 de Setembro e culminou também na morte do líder iraquiano Saddam Hussein no ano de 2006 e do líbio Kadafi.  Duas conclusões podem ser consideradas a partir desse período: o intensivo desenvolvimento de tecnologias para combate a distância, pois se descobriu que soldados norte-americanos e aliados não devem morrer em combate, dadas as consequências internas politicamente indesejáveis e as limitações de conflitos em territórios restritos.

Diversos outros estados permanentes de tensão, com intensidades variáveis, a merecer nosso grifo é entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, o adversário mais antigo norte-americano. Apesar das aproximações e de um possível “cessar fogo” dos dois timoneiros Donald Trump e Kim Jong Un, esta situação pode se agravar nos próximos meses e anos, pois a artilharia norte-coreana preocupa o presidente americano, sem se chegar a ruptura talvez, dado o envolvimento de aliados que se mostram sempre prontos ao confronto!

O que queremos destacar aqui é o conflito mais atual entre Estados Unidos e Irã. O grande estopim para que este confronto tivesse início foi feito através de um drone de alta precisão que vitimou o major-general da guarda revolucionária islâmica (GRI): Qassim Suleimaini, um dos homens mais poderosos do IRÃ e das forças armadas. Diretamente, este conflito gerou o aumento do valor do petróleo em todo mundo. Este confronto se iniciou já nos anos 50, com a queda do Xá Reza Palevi e ganhou força com o retorno do Aiatolá Komeini, e teve continuidade, de forma indireta, na década de 80, no confronto direto Irã x Iraque, que escandalizou o mundo com o golpe de corrupção, atribuído a agentes da CIA, denominado: Irã Contras (Governo Reagan). Essa tensão engrossou, na década de 90, quando já se suspeitava que o país do Oriente Médio tivesse um dado início efetivo programa nuclear para fins bélicos. Atualmente, a grande preocupação é que o país presidido por Hassan Rouhani realize intervenção no estreito de Ormuz, canal de conexão entre Golfo Pérsico e Oceano Índico, sendo uma exponencial rota de comércio de petróleo e isso pode tornar a situação ainda mais insustentável.

Resta ainda considerar a possibilidade de virem a ocorrer ataques cibernéticos, ou seja, que hackers que possam liderar ataques às principais empresas e organizações, sites governamentais e às agências de informações do serviço secreto americano. Para que se tenha uma ideia, cabe destacar o caso de grupos iranianos que espalharam o vírus Shamoon, capaz de deixar computadores inutilizados apagando todos os arquivos nele existentes, desativando milhares de computadores de empresas petrolíferas do Arábia Saudita e do Qatar.

Vejamos, se num primeiro cenário tínhamos uma guerra fria de armas, misseis e homens, agora, podemos ter a primeira guerra digital, com prevalência da inteligência artificial, onde máquinas, computadores e sistemas estão expostos a ataques cibernéticos e hackers. Diante de todo este cenário fica a pergunta: será que teremos a primeira guerra digital? Quais serão seus nefastos efeitos?

* O autor é Professor da Rede Estadual de Ensino, Cientista Político, Cientista Social e Antropólogo pela UFSCar- Universidade Federal de São Carlos. Graduando em História pela UNIP -Universidade Paulista, Assessor Parlamentar e apaixonado pela vida. É colunista dos sites: São Carlos Agora, Sucesso São Carlos, Região em Destake, São Carlos Dia e Noite e da Revista Ponto Jovem. Idealizador e Coordenador da Ação Social “Unidos Somos Fortes”.

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